Uma sociologia emocional?


A Sociologia é uma filha ciência. Você concorda?

Com isso quero dizer que ela nasceu em um contexto específico e com características específicas. Carrega grande parte das qualidades e também dos limites do método científico na análise da sociedade. E, por fim, não possui uma alma, digo, sentimentos, emoções, não demonstra assim alegria nem tristeza. Assim como a ciência, a Sociologia e a Antropologia são frias por natureza. Quem lhes garante um sopro de calor no seu interior são pesquisadores e pesquisadoras dedicados não apenas com os fatos objetivos, mas em compartilhar as dores, alegrias dos seus pesquisados. Mas não esses sentimentos que nos fazem humanos? E mais: esses sentimentos não têm desdobramentos sociais? Então por que não incorporá-los em nosso método de análise da sociedade?

Minha dúvida é sempre a mesma: como estudar seres que sentem, que se alegram e riem  usando um ferramental tão focado em métodos que não conseguem apreender esses sentimentos. Estou sendo muito duro com as Ciências Sociais que eu gosto tanto? Ou será que podemos desenvolver uma Sociologia que se foca na dor, nas paixões, crenças e em tudo o mais que nos torna humanos? Não seria o caso de desenvolvermos uma ciência social menos “científica”?

Não estou com isso dizendo que devemos lançar mãos de métodos duvidosos para analisarmos a sociedade, nem que tenhamos que negociar o passado das ciências sociais. Mas será que não podemos ir além de Durkheim, Weber e Marx? Existe vida  para a sociologia que vai além disso?

Penso que eu esteja com mais dúvidas do que certezas, e não procuro esconder meus sentimentos. Realmente também não saberia afirmar qual o caminho para fazer isso acontecer. Mas penso que o questionamento é o primeiro passo para a mudança. Quem sabe um dia teremos uma sociologia mais calorosa, que sente, que se emociona. Por enquanto estamos na fronteira de algo novo. Não dá para ficar olhando para trás, e o que virá é completamente desconhecido. Como é possivel desenvolver esse projeto? Sinceramente não sei, mas penso que devemos caminhar por onde ainda não andamos. Buscar os limites do novo. O resto a gente descobre na caminhada.

*Você pode colocar seu comentário logo abaixo. Seria um prazer poder ouvir sua opinião. Grato, luc.

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