Mito da Caverna I

Posted 12/10/2008 by lucmodes
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Para aqueles que gostam de Ciências Sociais e Filosofia (as duas estão mais próximas do que parece…), estou publicando dois vídeos a respeito da história clássica de Platão “o mito da caverna”.

O primeiro é uma crítica à sociedade.

Clique e acompanhe,

lucmodes,

Sociobox, editor.

Mito da Caverna de Platão II

Posted 11/10/2008 by lucmodes
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Agora um segundo vídeo, mais técnico.

Bom vídeo a todos (as)

lucmodes,

sociobox, editor.

Adão ou Somos todos filhos da Terra

Posted 17/08/2008 by lucmodes
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Filósofo, Antropólogo cultural, o que será?

Assista esse vídeo feito por ninguém mais ninguém menos do que Walter Sales e descubra.

Manifesto do Partido Comunista

Posted 14/08/2008 by lucmodes
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Karl Marx é, ainda hoje, um dos nomes mais importantes da Sociologia. Quer conhecer um pouco mais do jovem Marx e não consegue tempo para os textos mais densos?

Um bom lugar para começar a entender o pensamento de Marx é o Manifesto do Partido Comunista. Por esse motivo estou publicando na sessão Karl Marx, em Socio e Antropo o breve texto do autor.

espero que seja util,

clique para baixar (lado direito do mouse, salvar como) manifesto-do-partido-comunista

abraço,

lucmodes

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: Igreja Univesal do Reino de Deus: Identidade, memória e sonhos

Posted 02/08/2008 by lucmodes
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Na esteira das publicações do novo semestre estou disponibilizando minha dissertação de mestrado.

O que são identidades temporárias? Memória precária? e sonhos coletivos?

Para essas discussões clique na dissertação com o lado direito do mouse (salvar como) e boa leitura

igreja-universal_identidade-memoria-e-sonhos-Luciano Modes

luc, sociobox editor

Apostila Metodologia Científica

Posted 01/08/2008 by lucmodes
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Precisando de referenciais na hora de fazer um trabalho? e quanto à pesquisa de campo? como proceder, colher informação e processar os dados?

Para facilitar a vida dos novos pesquisadores estou publicando na sessão “Artigos e Textos” uma breve apostila sobre o assunto.

Para baixar a apostila basta clicar aqui (lado direito do mouse, salvar como)

apostila_metodologia-cientifica

Espero que possa ser útil,

Luc modes, sociobox editor

Congresso Humanidades

Posted 06/06/2008 by lucmodes
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Entre os dias 9 e 10 de Junho, a Universidade de Cuiabá (Unic) vai estar realizando o Congresso de Humanidades. Vão estar acontecendo palestras com temas muito diversos sob a insígnie da Biopolítica. Todos estão convidados. As palestras serão realizadas nos tres auditórios da universidade, no periodo da manha e da noite.

sejam bem vindos

luc, sociobox editor

A divisão sexual do trabalho e a base da família moderna

Posted 30/05/2008 by lucmodes
Categories: Reflexão, Sociologia; Ciências Sociais

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Filhos de pais solteiros. Solteiros sem filhos. Casais com filhos do segundo, terceiro casamento. Filhos convivendo com filhos de pais no segundo casamento. A transformação da estrutura familiar é um fenômeno forte e visível, mesmo para quem não viveu os velhos tempos do “casados até que a morte os separe”.

Nossos avós são modelos de uma realidade que vai se esfarelando conforme o tempo passa. Casamentos de longa duração são cada vez mais raros, da mesma forma que também é cada vez mais difícil ver um funcionário com 40 anos numa mesma empresa. Não creio que essa geração deve esperar por um emprego que o mantenha por tanto tempo num mesmo lugar. Não parece muita ingenuidade ficar esperando algo tão duradouro num contexto que muda tanto quanto o do emprego formal? Parece muito obvio pensar isso em termos de emprego e renda, mas será que não deveríamos fazer o mesmo em relação ao casamento? Casar é para sempre…ainda?

O que tem acontecido com o casamento de antigamente? Por que não conseguimos manter a mesma estrutura sólida do passado nos dias de hoje. Penso que seria muito simplista analisar a transitoriedade e a fragilização do casamento como um processo gerado pelo nosso mundo consumista e instantâneo. Dizer isso seria o mesmo que afirmar: vivemos num mundo imediatista, com microondas, celulares, com soluções “para ontem” que tem transformado nossa vida como um todo, incluindo as relações.

Concordo que vivemos num mundo que busca o “instantâneo”, mas creio que existe algo mais que explica esta fragilização do casamento nos dias de hoje. Na minha opinião, o que tem abalado o casamento não é uma cultura do “instantâneo”, mas uma mudança significativa na base dos relacionamentos como um todo. E isso envolve o que vou chamar de “divisão sexual do trabalho”. Como ilustra Giddens:

“Quando o casamento, para a maioria da população, efetivamente era para sempre, a congruência estrutural entre o amor romântico e a parceria sexual estava bem delineada. O resultado pode, com freqüência, ter sido anos de infelicidade, dada a conexão frágil entre o amor como uma fórmula para casamento e as exigências paras progredir posteriormente. Mas um casamento eficaz, ainda que não particularmente compensador, podia ser sustentado por uma divisão de trabalho entre os sexos, com o marido dominando o trabalho remunerado e a mulher, o trabalho doméstico. Podemos ver neste aspecto como o confinamento da sexualidade feminina ao casamento era importante como um símbolo da mulher “respeitável”. Isto ao mesmo tempo permitia aos homens conservar distância do reino florescente da intimidade e mantinha a situação do casamento como um objetivo primário das mulheres” (GIDDENS, Anthony. A transformação da intimidade. São Paulo, Unesp, 1993, p.58).

A divisão sexual do trabalho ocorre quando há uma separação dos papéis sociais baseados numa questão de gênero. Isso pode ser traduzido assim: “Trabalho de mulher é cuidar dos afazeres domésticos e dos filhos, e trabalho de homem é ganhar o pão de cada dia”. Ainda que eu não concorde com essa divisão sexual do trabalho, ela reinou durante muitos anos e serviu como estabilizadora dos papéis sociais que definiam o que era esperando de um homem e uma mulher num relacionamento. Mas, com o agravamento da instabilidade econômica, aceleração da vida moderna e enfraquecimento dos modelos do passado, mais e mais essa estrutura que garantia a solidez dos casamentos foi abrindo uma fenda. Não é preciso insistir muito que tal mudança também foi ansiada por uma grande parcela da sociedade, pelo menos no que toca às mulheres: pensando nas mulheres, a vida moderna se tornou um peso muito grande, e se livrar dos antigos modelos tradicionais foi não só uma necessidade como também um alívio. A vida na modernidade jogou nos ombros das mulheres um peso muito grande, uma vez que, com o agravamento da condição moderna, as mulheres tiveram que arcar com a necessidade de trabalharem também sem, contudo, deixarem de cumprir o que seria “trabalho de mulher”.

 

Essa mudança na estrutura familiar é benéfica? Bem, benéfica ou não, ela foi necessária a meu ver -o peso social sobre os ombros das  mulheres estava insuportável. Não quero com isso atribuir a instabilidade dos casamentos às mulheres. A perda de estabilidade dos casamentos é uma responsabilidade compartilhada por todos, homens e mulheres. O que não precisamos mais esperar é que as mulheres continuem em um relacionamento em que elas se sintam usadas e oneradas. Da mesma maneira como não conseguiríamos imaginar passarmos 40 anos em um emprego que não nos sentíssemos bem, sendo cobrados de coisas que acreditamos não ser nossa responsabilidade ou mais pesados do que podemos suportar. A divisão sexual do trabalho, nos dias de hoje, deve se dar sobre uma nova base. Toda vez que forçarmos homens e mulheres dentro de moldes que não lhes cabem, o resultado, geralmente, vai ser uma fenda por onde escapa a estabilidade do relacionamento.

Aproximações à BIOPOLÍTICA

Posted 08/05/2008 by lucmodes
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Alejandra Rotania (*)

 

Problemas antigos se revestem atualmente de novas roupagens. A questão do aborto, por exemplo: o uso de técnicas que permitem o estudo cada vez mais cedo do embrião oferece a perspectiva da escolha com relação à continuidade ou não da gravidez de um feto com uma anomalia. E novas tecnologias prometem que este tipo de decisão possa ser adiantada no caso de se recorrer à fertilização in vitro e ao diagnóstico pré-implantacional, através do qual se analisa a qualidade do embrião, podendo-se intervir ou modificar antes de ele ser implantado no útero. Novas tecnologias favorecem novas escolhas com novos significados e responsabilidades. Escolhe-se o sexo, por exemplo, a partir desta técnica genética. As questões novas referem-se às perspectivas de criar e modificar seres vivos, de patenteá-los ou patentear os procedimentos necessários para fabricá-los.

BIOPOLÍTICA é uma junção lingüística relativamente nova. Agrupam-se campos temáticos que oferecem perspectivas comuns e se tornam centro de decisões políticas que, embora aparentemente específicas e díspares, obedecem a interesses semelhantes, como, por exemplo, biossegurança, biodiversidade, biomedicina, medicina reprodutiva, entre outros.

                O Especial BIOPOLÍTICA da Carta Maior aborda temas que utilizam o prefixo bio seguido de várias categorias que indicam realidades diferentes: segurança, pirataria (apropriação indevida de plantas, sementes, etc), ética, tecnologia, informática, nanobiotecnologia, recursos genéticos, ciência, entre outros. Como pode se observar, o leque das novas tecnologias é amplo e de um crescimento inestimável, representando uma janela aberta ao imprevisível.

Bio indica (em grego) Vida. O prefixo se refere às ciências biológicas que fazem parte das ciências da Natureza, ou ciências experimentais. A vida é objeto de campos científicos e filosóficos e, tanto dá lugar à biologia e ciências afins, quanto é objeto de filosofia e ciências humanas. Quando falamos em BIOPOLÍTICA, o tomamos em um sentido geral ao estudarmos o meio ambiente, por exemplo, mas também podemos pensar em um sentido mais específico ao nos referimos às células, ao DNA, às propriedades constitutivas dos seres vivos.

A palavra política coloca-se no mesmo plano da palavra Bio. A junção das Bios com a política assinala o estágio da ciência e da tecnologia ao qual chegamos e onde a perspectiva dada pelo novo modo de conhecer deu ao ser humano a possibilidade de modificar a natureza na sua essência, todos os seres vivos, inclusive ele mesmo.

Refletir um pouco sobre o conhecimento ajuda a nos aproximarmos um pouco mais da compreensão da BIOPOLÍTICA. Não é fácil, pois se trata de um tema muito abstrato, mas é necessário no momento em que o conhecimento sobre uma célula se transforma em mercadoria, como um par de sapatos, podendo passar a propriedade particular e a ser vendido. A junção da ciência com a tecnologia e o capital, a chamada tecnociência, baseou-se no conhecimento que esvaziou a natureza (os seres vivos em suas múltiplas expressões) do sagrado e ou de qualquer singularidade da matéria viva para usá-la com fins industriais.

 Mais recentemente, no Brasil e no mundo, a sociedade tomou maior conhecimento destas mudanças e dos seus possíveis impactos através das discussões sobre legislação, por exemplo. Porém ainda não há reflexões e ações suficientes que coloquem como central o debate sobre a necessidade de limites ao desenvolvimento da chamada tecnociência.

Fruto do novo processo histórico é a perspectiva de transformar o conhecimento em propriedade intelectual, propriedade privada. O fato de poder saber como é a vida ou a natureza na sua íntima essência e ter condições de manipulá-la, leva à privatização do conhecimento, a sua transformação em uma mercadoria. Evidentemente que não é a mesma coisa fazer um quadro e fabricar no laboratório um rato com orelha humana no dorso ou um porco com genes humanos para produção de sangue, insulina e órgãos para transplantes. Estes exemplos sempre parecem bizarros ou exercícios experimentais, mas evidentemente apontam para uma realidade já existente do ponto de vista da capacidade tecnológica adquirida.

 O conhecimento adquirido sobre a matéria molecular e a tecnologia que permite manipular, intervir e modificar transforma-se em capital. Também adquire grande valor a informação que permitirá a produção e inovação. O espanto (ou encantamento) que tem tomado conta da sociedade nas últimas décadas se dá em função do fato de que a matéria biológica tornou-se matéria prima para a indústria ao modo da matéria tradicional, e a natureza, em si, um instrumento a mais, sem limites éticos para a produção, comercialização e consumo de produtos.

 A palavra biopolítica já tinha sido usada por Michel Foucault, em um sentido mais abrangente da politização do corpo e da sexualidade e do seu uso pelo sistema repressivo. Os corpos eram modulados, vistos e percebidos para serem instrumentos dos sistemas políticos e econômicos. Agora, no entanto, trata-se da mercantilização e privatização da vida, da intervenção humana no redesenho da natureza nas suas várias espécies . O corpo humano poderá ser desenhado não do ponto de vista simbólico, mas real, concreto. Esta perspectiva não é fruto “natural” do progresso humano, mas resultado da aplicação de um determinado conhecimento em uma determinada direção, respondendo a um determinado projeto econômico e político global.

A mercantilização da vida fica clara quando percebe-se que às prateleiras dos mercados agregaram-se medicamentos, sementes transgênicas, pneus, armas e instrumentos médicos. Não há diferença entre eles, são todos produtos de um mercado controlado por corporações multinacionais e multisetoriais.

Como exemplo, pode-se citar a Monsanto, corporação multinacional que fabrica a semente transgênica Terminator, fabrica também a gonadotrofina coriônica humana recombinante, um hormônio manipulado geneticamente (transgênico), subministrado às mulheres que participam de programas de fertilização in vitro para dar maior garantia de sucesso ao procedimento, e cujo objetivo é aumentar a quantidade de óvulos produzidos. O que têm em comum a Terminator e o hormônio? Ambas confluem no campo da vida que foi tecnologicamente manipulada, colocando em risco as futuras gerações. Uma é estéril, não colabora com o agricultor para a geração do grão, para a colheita do ano seguinte, além de colocar em risco a alimentação da população. A outra põe em perigo a integridade do futuro bebê, uma vez que seus efeitos são desconhecidos.

Corporações como NOVARTIS (empresa farmacêutica e de biotecnologia agrícola), ASTRAZENECA (farmacêutica e serviços clínicos associados com tecnologias patenteadas) e BAYER (bio e nanotecnologia) expressam a tendência à fusão intersetorial (indústria de sementes, agroquímica, farmacêutica, informática, biomedicina, alimentos, genômica, farmacogenética, nanotecnologia, medicina reprodutiva e saúde) e estão preparadas para produzir, também, armas, animais e seres humanos clonados e órgãos artificiais, entre muitos outros exemplos que poderiam ser citados.

Alguns cientistas ou estudiosos liberais dirão que a dominação da natureza e a privatização da vida humana não são fatos novos na história da Humanidade. No entanto, entendemos que há um evento novo (embora este fato não seja reconhecido por todos), que é o momento em que a vida, a matéria orgânica, se transforma em matéria prima útil para a fabricação de produtos inexistentes anteriormente, desconhecendo-se a diferença entre o humano e não humano. Em vista disso, faz-se necessário o estabelecimento de limites éticos e de uma regulamentação da ação e intervenção do ser humano no progresso da ciência e da tecnologia

A categoria Biopolítica busca acolher um leque de questões que envolvem as Bios, sob o ponto de vista econômico, social, ético e político. Busca construir denominadores comuns para a reflexão crítica e a ação propositiva de mudança e controle. O campo se caracteriza pela intersetorialidade, a integração e a politização, e busca a articulação de temas, métodos, setores e ações. Compreender cada território setorial é um novo desafio ao conhecimento, à ética e às opções políticas. Não só esses desafios se dão no campo das relações entre indivíduos e profissões, mas também, e fundamentalmente, no campo nacional e nas relações internacionais através das relações de poder.

As informações e reflexões sobre os significados e impactos diversos das biotecnologias, a engenharia genética aplicada às diversas espécies, os problemas relativos ao meio ambiente, à segurança, à diversidade biológica, à medicina genômica, à reprodução genética, entre outros campos que compõem a BIOPOLÍTICA, devem ser considerados, do ponto de vista ético, teórico e político, pontos de pauta de uma mesma agenda da Humanidade. Portanto, a BIOPOLÍTICA aponta para campos de extrema responsabilidade humana, uma vez que as decisões a serem tomadas sobre a VIDA afetam o presente e o futuro de todos os seres humanos.

Levando essas questões para um terreno mais concreto podemos, então, nos referir aos atores sociais ou agentes deste processo, dando mais ênfase ao lugar social que ocupamos: estamos fora dos grandes círculos do poder. Somos cidadãos, a chamada sociedade civil: grupos culturais, indígenas, povos e etnias, transpassados pelas diferenças de raça, gênero, classe social, religião, entre muitas outras. Tratam-se de grupos que atuam em torno de questões da terra, do meio ambiente, da poluição genética, dos alimentos transgênicos, da agricultura, da defesa dos direitos humanos, do anti-racismo, do movimento feminista, dos indígenas, dos direitos dos portadores de necessidades especiais, da antiglobalização, da quebra das patentes que impõem obstáculos ao desenvolvimento dos países pobres.

 São os grupos que se transformam em atores sociais na luta pela manutenção da liberdade, da justiça e da singularidade humana. Diferenciam-se dos grandes grupos de poder, dos cientistas, dos religiosos, dos empresários, das corporações e dos governos, donos das vozes hegemônicas e dos espaços, por defender um mundo onde a relação entre o ser humano e a natureza permita o reinado da ética, da responsabilidade, e da justiça.

 Os atores que participam dos movimentos e das entidades sociais costumam atuar em torno dos seus interesses mais específicos e os esforços de articulação são insuficientes. Porém, a BIOPOLÍTICA abre mais um campo de atuação conjunta para fortalecer a luta política daqueles que se opõem a este modo de considerar a vida, a natureza e a cultura e buscam mudanças de paradigmas.

É preciso um esforço de compreensão dos objetivos semelhantes que apresentam estes agentes sociais e das reflexões críticas que se realizam sobre as Bios para a promoção de uma construção social e política comum apesar das diferenças. É preciso que esses atores se articulem e sejam propositivos para a construção do exercício da responsabilidade ética humana. Antes que seja tarde demais.

 

               

(*) Alejandra Rotania, mestre em Ciências Sociais do IUPERJ, com doutorado em Engenharia de Produção-COPPE/UFRJ; Coordenadora Executiva do Centro de Estudos e Ação da Mulher Urbana e Rural – Ser Mulher; prof. De Bioética do Curso de Medicina da Universidade Estácio de Sá; coordenadora do Programa de Saúde, Novas Tecnologias Reprodutivas Conceptivas Genéticas, integrante do GT sobre Biopolíticas na parceria Ser Mulher/Fundação Heinrich Böll. Autora e organizadora de livros e artigos sobre o tema.

 

O fantasma de Thomas Malthus*

Posted 29/04/2008 by lucmodes
Categories: Humanidades, Reflexão, Sociologia; Ciências Sociais

Assim caminha a humanidade: São muitos caminhos, tantas opções e emoções e tão poucas referências a serem seguidas… Ao longo dos últimos 400 anos, construímos um mundo tão relativo para vivermos que não temos muita certeza de como será o amanhã… Amanhã está muito longe. E ontem? Ontem foi há muito tempo atrás… Tudo muda muito rápido (Como diria Anthony Giddens: a única certeza que temos é a mudança).

 

Desde 1700 pra cá, por exemplo, muita coisa mudou. Nações enriqueceram, a ciência cresceu e passamos a manipular geneticamente os grãos. Nunca se produziu tanta riqueza no mundo e nunca, creio, houveram tantas pessoas vivendo na linha da miséria. Minha impressão é que, vez por outra, um fantasma do século XVI volta para ameaçar esse admirável mundo instável.

 

Thomas Malthus (1766-1834) foi economista e propôs a lei de que a população da terra cresce em proporção geométrica enquanto a produção de alimentos, em progressão aritmética. Bem, um aluno de 8º série sabe que isso quer dizer que enquanto a população cresce em termos de 2, 4, 8, 16, 32, 64…a produção de alimentos vai a passos de formiga: 2, 4, 6, 8, 10, 12… bem, pensando nesses termos parece que temos um problemão pela frente.

 

Pra começar, alguns mitos precisam ser esclarecidos. Segundo publicação da CIA**, agência de inteligência do governo americano, existem no mundo 6,677,563,921 de pessoas. Essa população cresce a uma taxa de 1.1% ao ano em média, o que não parece uma grande ameaça, concorda? Baseado nesses números é fácil concluir que Malthus definitivamente errou…a população não cresce ao ponto de se tornar ameaçadora. Tudo está sob controle, certo? Podemos exorcizar Malthus definitivamente? Será mesmo?

 

Se por um lado Malthus errou no seu julgamento do crescimento populacional, por outro lado ainda é cedo para pegarmos nos apetrechos de exorcismo e mandarmos o seu fantasma para longe. Isso por causa do crescimento da economia do mundo. Enquanto a população cresce a pouco mais de 1% ao ano, e economia mundial cresce a taxas superiores a 5%. Isso quer dizer que produzimos (e consumimos) cada vez mais. Começamos a sentir no bolso a alta do preço dos alimentos não porque a população cresça a níveis recordes, mas porque produzimos mais riquezas a cada dia. Produzindo mais riquezas, mais pessoas têm poder de compra, logo, mais recursos serão consumidos.

 

Com o crescimento chinês (+ de 10% ao ano) e de outros países, temos uma demanda gigantesca por alimentos. Não que isso seja errado, creio que os países desenvolvidos tem que se desenvolverem, para o bem de sua população. Mas minha pergunta é: independente do crescimento econômico ser bom ou mal, a produção mundial de alimentos consegue acompanhar esses índices?

 

Temos, de um lado, os países ricos, com um consumo já bastante elevado, e, correndo por fora, um exército de milhares de pessoas que se encontram na linha da miséria e começam a consumir. Com isso a economia cresce, os mercados se expandem e o mundo todo ganha divisas nessa nova divisão internacional do trabalho (segundo Manuel Castells). Nota 10 para nós, certo? Porém, os efeitos colaterais vêm bater em outro lugar: Precisamos de mais comida, não porque a população cresce em progressão geométrica. O crescimento do consumo pode ser potencialmente uma ameaça caso não ampliemos nossa capacidade produtiva.

 

Como será o dia de amanha? Bem, é difícil uma previsão. Pode ser que isso tudo não se consolide, pode ser que seja ainda pior. Por via das dúvidas eu prefiro consumir menos e guardar meus apetrechos de exorcismos poupando Malthus um pouco mais. O pior de tudo não é Malthus estar certo (porque de fato, não está), mas acabar acertando por outros meios.

 

* O assunto deste post foi uma sugestão de priscilla, aluna do primeiro semestre de Administração da Universidade de Cuiabá.

**Acessado dia 28 de abril de 2008, disponível em: https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/xx.html,

Novo slide Weber

Posted 04/04/2008 by lucmodes
Categories: Uncategorized

Estou publicando novos slides a respeito do pensamento do sociólogo alemão Max Weber. Como prometido, está em PDF aberto, o que permite cópia e cola. Peço apenas que a fonte seja citada conforme o caso.

Clique para baixar (lado direito do mouse-salvar como)

Weber_Slides

Abraço,

lucmodes, sociobox editor

Por que as mulheres de políticos americanos aparecem nas coletivas ao lado de seus maridos na hora de uma confissão?

Posted 14/03/2008 by lucmodes
Categories: Reflexão, Uncategorized

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Essa é uma pergunta que me intriga. Quando há um caso de envolvimento sexual na política americana, o que se segue é um drama com três episódios: um escândalo, uma confissão e, por fim, o desmoronamento. Esse roteiro se repete há algum tempo com uma ou outra variação em cada episódio.

Nesses casos, o homem (por que geralmente são homens) se vê privado de apoio político e sem as bases de sustentação tanto dentro como fora do seu partido. É o seu fim? Bem, politicamente talvez sim. Mas não é nessa questão que quero tocar.

Por que, em alguns casos, não é o fim do casamento do traidor? Por que de todos os apoios, um dos únicos que permanecem é o da esposa? Justamente daquela que foi a mais traída?

Sem querer responder quem veio antes: o político traidor ou a esposa forte que não o abandona, quero levantar uma questão que penso estar por trás dessa atitude: a ética protestante.

A cultura política americana tem passado por sussessivas ondas de secularização e des-secularização. O sentimento religioso, nessa esteira, ganha e perde espaço no terreno político. O que é errado é apontar é a morte do sentimento religioso na política americana.

A ética protestante, se analisada por esse ângulo, sempre fez parte da política americana de alguma maneira, e, em especial dos políticos de maior renome. Faz parte do imaginário popular a imagem de que um bom político é alguem honesto, diligente e, claro, membro de alguma igreja. Bush é metodista, Clinton, Batista e por aí a fora…

Será que não é essa ética protestante que está por trás dos fatos, fazendo escândalos sexuais virarem crimes capitais na política? Se sim, não seria também essa ética protestante que leva as mulheres a não abandonarem seus maridos? Deixo a pergunta no ar. Realmente não é possivel aprofudar muito essa questao. E nem é preciso. Preciso é passarmos das análises superficiais.

Deixe seu comentário,

Grato, luc, sociobox editor

Questões para análise do filme Matrix

Posted 10/03/2008 by lucmodes
Categories: Aulas, Humanidades

Você já viu Matrix -O filme? Então pare para pensar um pouco nos elementos do filme fazendo um recorte filosófico/Antropológico/Sociológico. Você vai ficar impressionado.

Para ajudar nesse raciocínio, aqui vão algumas questões. Estas perguntas fazem parte da minha aula de Humanidades na Universidade de Cuiabá. É claro que aqui não vale nota alguma, mas você não precisar ser aluno das Humanidades para deixar sua opinião. Para deixar seu post basta clicar em responder –sua opinião é mais do que bem-vinda.

Obrigado a todos (as).

Luc, Sociobox editor

 

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ROTEIRO PARA ANÁLISE DO FILME MATRIX

(Para o Pessoal da Unic: das 12 perguntas escolha 6 para responder)

  1. O que é a Matrix?
  2. As máquinas irão substituir os homens?
  3. O que é a realidade?
  4. Em que sentido as maquinas alteram o cotidiano do homem?
  5. A minha cultura é uma Matrix?
  6. Coisificação das pessoas e a humanização das máquinas?
  7. Discorra sobre o “Escolhido”, o homem que anuncia o início do fim da Matrix.
  8. Quem é o Oráculo.
  9. Aquilo que julgamos na nossa vida ser real é REAL?
  10. A Matrix tem fim?
  11. Existe uma realidade paralela?
  12. Identifique algumas cenas ligadas aos temas filosóficos, antropológicos e sociológicos e faça um comentário.

Antropo_Intro

Posted 07/03/2008 by lucmodes
Categories: Antropologia, Aulas

Estou publicando um slide como introdução à Antropologia na sessão Socio Antropo. Esse slide faz parte das minhas aulas de Humanidades na Universidade de Cuiabá e espero que seja util a todos.

Abraço, luc.

Sociobox editor

Uma sociologia emocional?

Posted 05/03/2008 by lucmodes
Categories: Reflexão

A Sociologia é uma filha ciência. Você concorda?

Com isso quero dizer que ela nasceu em um contexto específico e com características específicas. Carrega grande parte das qualidades e também dos limites do método científico na análise da sociedade. E, por fim, não possui uma alma, digo, sentimentos, emoções, não demonstra assim alegria nem tristeza. Assim como a ciência, a Sociologia e a Antropologia são frias por natureza. Quem lhes garante um sopro de calor no seu interior são pesquisadores e pesquisadoras dedicados não apenas com os fatos objetivos, mas em compartilhar as dores, alegrias dos seus pesquisados. Mas não esses sentimentos que nos fazem humanos? E mais: esses sentimentos não têm desdobramentos sociais? Então por que não incorporá-los em nosso método de análise da sociedade?

Minha dúvida é sempre a mesma: como estudar seres que sentem, que se alegram e riem  usando um ferramental tão focado em métodos que não conseguem apreender esses sentimentos. Estou sendo muito duro com as Ciências Sociais que eu gosto tanto? Ou será que podemos desenvolver uma Sociologia que se foca na dor, nas paixões, crenças e em tudo o mais que nos torna humanos? Não seria o caso de desenvolvermos uma ciência social menos “científica”?

Não estou com isso dizendo que devemos lançar mãos de métodos duvidosos para analisarmos a sociedade, nem que tenhamos que negociar o passado das ciências sociais. Mas será que não podemos ir além de Durkheim, Weber e Marx? Existe vida  para a sociologia que vai além disso?

Penso que eu esteja com mais dúvidas do que certezas, e não procuro esconder meus sentimentos. Realmente também não saberia afirmar qual o caminho para fazer isso acontecer. Mas penso que o questionamento é o primeiro passo para a mudança. Quem sabe um dia teremos uma sociologia mais calorosa, que sente, que se emociona. Por enquanto estamos na fronteira de algo novo. Não dá para ficar olhando para trás, e o que virá é completamente desconhecido. Como é possivel desenvolver esse projeto? Sinceramente não sei, mas penso que devemos caminhar por onde ainda não andamos. Buscar os limites do novo. O resto a gente descobre na caminhada.

*Você pode colocar seu comentário logo abaixo. Seria um prazer poder ouvir sua opinião. Grato, luc.